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Abrigo de Cuiabá tem seção eleitoral para idosos e transforma votação em dia de festa

Conheça os moradores do Abrigo Bom Jesus, local onde possui uma seção eleitoral para que os moradores votem. Fernanda Deamo Pela terceira eleição consecuti...

Abrigo de Cuiabá tem seção eleitoral para idosos e transforma votação em dia de festa
Abrigo de Cuiabá tem seção eleitoral para idosos e transforma votação em dia de festa (Foto: Reprodução)

Conheça os moradores do Abrigo Bom Jesus, local onde possui uma seção eleitoral para que os moradores votem. Fernanda Deamo Pela terceira eleição consecutiva, o Abrigo Bom Jesus, em Cuiabá, recebe uma seção eleitoral para que os moradores possam votar sem deixar a instituição. Dos idosos acolhidos, 39 estão aptos a participar da votação e acompanham o processo eleitoral de perto: assistem aos debates, conversam sobre política e chegam às urnas com o voto já definido. "Eles são antenados. Grande parte é politizada, conversa sobre política e acompanha os debates. No dia da eleição, torcem pelo seu candidato como qualquer outro eleitor", afirma a diretora do abrigo, Márcia. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MT no WhatsApp Agora no g1 Segundo ela, a instalação da seção eleitoral facilita a participação dos idosos, especialmente dos que têm dificuldade de locomoção, e transforma a votação em um momento especial. "É roupa de festa. Eles se arrumam para votar e vivem esse dia como qualquer brasileiro. Para muitos, manter o título e exercer esse direito fortalece a autoestima e o sentimento de cidadania." 'O voto é a arma mais importante que temos' Carlos Estevão, 73 anos, o voto é a principal ferramenta de participação do cidadão na democracia e também uma forma de cobrar os representantes eleitos. Fernanda Deamo Um dos moradores orgulhosos em votar é o ex-garimpeiro, Carlos Estevão, 73 anos, que faz questão de acompanhar de perto o período eleitoral e afirma que a escolha do voto exige informação. Morador do Abrigo Bom Jesus há cinco anos, ele diz que acompanha entrevistas, programas de rádio, televisão e jornais para conhecer as propostas dos candidatos antes de decidir em quem votar. Para ele, o voto é a principal ferramenta de participação do cidadão na democracia e também uma forma de cobrar os representantes eleitos. "Eu estudo bastante. Acompanho rádio, televisão, jornal e revista. Gosto de política porque nada muda se não for pela política. Sempre gostei de ler. Se pudesse, teria mais livros do que uma biblioteca. Informação faz diferença na hora de escolher", afirmou Carlos. O interesse pelo assunto começou ainda na infância, em Poxoréu, influenciado pela mãe, Honorina Aires Aguiar, que incentivava a leitura mesmo quando o acesso à informação era limitado. Carlos contou que cresceu em uma casa onde revistas e jornais eram compartilhados entre vizinhos e que mantém esse hábito até hoje. "O voto é a arma mais importante que a gente tem. Depois da eleição, o cidadão tem o direito de cobrar aquilo que foi prometido. Se não for pelo voto, nada muda." 'É uma distração', diz Silvio, 73 anos Aos 73 anos, Silvio diz que a participação nas eleições faz parte da sua história. Fernanda Deamo Aos 73 anos, Silvio diz que a participação nas eleições faz parte da sua história. Morador do Abrigo Bom Jesus há pouco mais de dois anos, ele lembra que tirou o título de eleitor aos 18 anos e, desde então, procurou votar em todas as eleições. Silvio lembra de candidatos em quem votou ao longo da vida e diz que sempre enxergou a eleição como um momento de participação e esperança. Para ele, votar também é uma forma de contribuir com a sociedade. "Comecei a votar aos 18 anos e votei em tudo. Sempre gostei de votar, para prefeito, presidente e até eleição de bairro. Para mim, votar é uma alegria. É uma distração e uma forma de ajudar o próximo. Quando o candidato da gente ganha, a felicidade é maior ainda", contou. Mesmo sem acompanhar debates ou noticiários com frequência, ele explica que costuma decidir seu voto a partir da confiança que tem nas pessoas. "Eu voto por amor à pessoa e para ajudar. Quando os candidatos vêm aqui, a gente conhece um pouco mais deles", afirma. 'Escolher quem nos representa", diz Dairan Pereira, 66 anos Dairan Pereira, 66 anos, é engenheiro mecânico de formação, bacharel em Direito e apaixonado por literatura, música e tradução. Fernanda Deamo Morador do Abrigo Bom Jesus há cinco anos, Dairan faz questão de continuar participando das eleições por considerar o voto uma das principais formas de representação da população. Engenheiro mecânico de formação, bacharel em Direito e apaixonado por literatura, música e tradução, Dairan afirma que acompanha o cenário político antes de decidir em quem votar. Para ele, acompanhar a política faz parte da vida em sociedade. "Nós vivemos junto com a política, participando ou elegendo quem vai nos representar. É a forma de escolher quem vai estar lá me representando", afirma. Dairan também destaca a importância de a Justiça Eleitoral instalar uma seção de votação dentro da instituição de longa permanência. Segundo ele, a medida garante mais conforto e acessibilidade aos moradores, especialmente para aqueles com dificuldade de locomoção. Para ele, essa vivência ajudou a construir a consciência política que mantém até hoje. "É muito prático. Você imagina uma pessoa cadeirante ou com dificuldade para sair daqui. Ter a urna no abrigo torna tudo mais seguro e confortável. Esses exemplos fizeram parte da minha formação. Eu observava aquilo que considerava positivo e levava para a vida. O voto é muito importante. Poder exercê-lo aqui no abrigo facilita a participação de todos nós e fortalece a cidadania", contou o engenheiro. Gentil Nicácio, 99 anos Aos 99 anos, Gentil Nicácio guarda na memória décadas de participação nas eleições. Fernanda Deamo Aos 99 anos, Gentil Nicácio guarda na memória décadas de participação nas eleições. Nascido em Tanabi (SP), mudou-se ainda jovem para o Paraná, onde constituiu família, trabalhou como caminhoneiro e tirou o título de eleitor. Há cerca de dez eleições, no entanto, ele deixou de ir às urnas após perder o título de eleitor. Sobre as eleições na instituição, Gentil afirmou que muitos moradores ainda votam e diz perceber a movimentação de pessoas ligadas às campanhas durante o período eleitoral. "Eu toda vida votei. Só fiquei uns anos sem votar quando saí da minha terra. Depois tirei o título no Paraná e votei por muitos anos. Se tivesse o título, votaria. Não custa nada apertar o número do candidato", lembra. Ao fim da entrevista, o assunto saiu da política e foi parar no gato Corintiano, companheiro de Gentil na instituição desde filhote. Quando perguntado, em tom de brincadeira, se o felino também iria às urnas, o caminhoneiro caiu na risada e respondeu: "Não vota, né?". Gentil Nicácio, de 99 anos, ao lado do inseparável companheiro, o gato Corintiano, durante entrevista sobre sua trajetória e a relação com as eleições. Reprodução